"O que sei já pouco me basta, na relatividade do meu nada, continuo procurando sorver de tudo..."

CAMINHO DAS FLORES


Em certo momento do tempo humano, nasceu uma linda garotinha que na luz das meias que usava, procurava traduzir toda a pureza, alegria e cor de sua alma. Ela caminhava pelos campos colhendo as flores, as trazia para plantar em casa na sua inocência querendo ter para si, reter toda a beleza singela.
Pensava em plantar porque jamais queria que morressem e na ingenuidade de roubar do jardim, não se dava conta do mal que fazia as rosas. Na sua idade tudo era permitido porque nada errado havia em seu coração. Cada ato era simples, justificado pelo brilho que continha nos olhos, pela ânsia que tinha da vida.
...Ela plantou a flor. Regou, cuidou como se fosse uma extensão do seu ser. Amou-a tanto por sua aparência, por seu cheiro, por sua vida tão frágil. Ainda assim, a rosa morreu! Morreu porque somente amor e cuidados não foram suficientes para ela. Faltou-lhe o sol, faltou-lhe a Terra, faltou-lhe a alegria de conviver com outras flores, faltou-lhe a alegria de sentir a chuva, de simplesmente estar em um jardim e fora de um vaso.
A pobre garotinha chorou. Na sua mais tenra infância, não podia compreender. Pensava somente no bem que tinha feito ao trazer a jóia e que ela havia sido ingrata ao seu amor, não soube retribuir era o que pensava a menina..A pequena decidiu nunca mais voltar ao jardim. Esqueceu-se das plantas, afastou-se dos sonhos... Ela cresceu, perdeu-se na vida entre sentidos e sentimentos; hoje nada mais restava da inocência, era triste e fechada para as mudanças.
Um dia, sem se dar conta, ela volta ao jardim. Agora adulta percebe que lá ainda existiam as flores, ainda existiam rosas. Depois de anos, ela compreendeu que o botão não morreu porque era ingrato, mas sim porque ela o arrancou e mesmo sendo amado, não podia viver fora do seu lugar. Se lá tivesse o deixado, ainda estaria vivo. Não a mesma flor, seria agora uma linda roseira, cheia de frutos, cheia de novas dádivas de Deus para perfumar o mundo.
A moça chorou, assim como se fechou ao jardim, se fechou para os amores, para a alegria, para tudo o que não podia manter para si. Descobriu que não se pode reter tudo o que se ama, apenas amar o que não se retém. Lembrou das meias, da cor, da alegria... Começou a amar o jardim mesmo sem poder ser a dona das flores...
Caríssimos, em verdade vos digo, não abandonem suas meias coloridas porque morreram suas flores; inevitavelmente elas vão morrer. Por isso, plantem as sementes no jardim e sempre irão ver as rosas, se alegrarão com elas. Não queiram ceifar vidas e segurar coisas para si; apenas amem as flores, assim, elas sempre existirão para vós!

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