"O que sei já pouco me basta, na relatividade do meu nada, continuo procurando sorver de tudo..."

CANÇÃO


Cantarei um poema para todos os vértices das tuas cores, para na mistura mais cítrica de sabores, tu descobrir em mim a nascente do mais puro amor.
No céu, no lado poente, a noite vejo tua imagem como uma miragem, brilhando mais que a própria lua , envergonhando a escuridão que fica pequena diante da tua figura.
Com os pés, não posso tocar o chão. Com o espírito cheio de ti sou do espaço que me carrega, me consome, me arrasta a um buraco negro que nada há, somente essências tuas.
Então absorta demais estou para ser de mim... Meus nem mais os olhos, nem mais a boca, nem mais as mãos... Se até a razão perdi, o que me resta?
O amor, e a insanidade que crepita em meu intimo... Loucura que me leva a ficar solta, tão demente, pairando como o vento em volta de ti.
Queria tornar-me a própria canção para estar em teus ouvidos, em tua cabeça ; para ,quem sabe, te deixar como estou... Trôpega, sôfrega, inerte a observar a ti...

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