
E como uma noiva ela foi para ele, vestida de véus na noite de núpcias; deixando na porta do quarto um mundo outro, que ao dar mais um passo não lhe pertenceu. O para ela cavalheiro dos sonhos com armadura e alado, profanou o inocente relicário, destruiu a pureza do sacrário despindo as vestes alvas e jogando ao chão para encher de máculas.Da boca do prometido somente saiam falácias que pobremente imaginava ela, pôs-se a acreditar em verdades inexistentes. Era a hora primeira do dia primeiro de um tormento infindável ainda por vir. Na manhã seguinte, ele ainda era um anjo, mas igual aquele enxotado do paraíso fingindo-se se santo nas terras dela para roubar-lhe os sonhos e o futuro; com uma argola de vil metal atou-lhe as mãos para que segurasse entre elas somente o sofrimento.
O tempo passou e os anos fizeram-se muitos entre as bodas e o tempo presente. A cada dia caia mais uma pétala em vez de nascerem novos botões. Com as noites de farra e gandaia do bêbado torpe, iam embora a fé a esperança de felicidade naquele leito. Em um momento, por fim, a pobre vomitou o amor. O enterrou como se faz aos restos de um morto qualquer sem saber se quando sentiu-se amada realmente foi, pois somente podia acreditar na veracidade dos sentimentos que vibravam no corpo que a ela pertencia. Deixou-se levar pela face melindrosa que escondia um espírito podre. Em contrações impiedosas, pariu com todas as dores a tristeza. Morreu por amar e matou-se por amor.
Na noite anterior a sexta, chegou ao fim a jornada. O sangue escorria das mãos e um silêncio absoluto reinava no vazio de respostas. Novamente em um quarto de motel, agora para consumar “o até que a morte nos separe”. Com um revólver nas mãos, estourou a cabeça da loira companheira das cervejas do homem deitado na cama, que por sua vez, recebeu o seu tiro bem no coração. Entre os lençóis brancos só se via o vermelho, definitivamente a ela não sobrou nada mais de puro. Pela milésima vez morreu por esse amor. De um sonho dourado de contração de núpcias, restou apenas três corpos inertes sobre o mármore gélido de um lindo quarto da excêntrica Copacabana.
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