
A lua sumiu, nunca mais a avistei com estes olhos que Deus me deu ... Deitar-se foi em outro céu de estrelas e cá no meu firmamento, deixou apenas a escuridão. Foi-se o brilho, não há mais a luz por traz da minha janela... Não há mais alma, nem beleza em minhas madrugadas de insônia. Restou-me apenas o sol que nasce nas manhãs, mas o seu calor me parece tão excessivo agora... O vazio que há não se preenche, nada ocupa o lugar do meu satélite... A distância entre nossos centros alterou as minhas marés que estão tão baixas, tanto quanto a minha alegria. Procuro, então, o conforto nas cores que trazem paz, que se assemelham ao seu puro na tentativa vã de sentí-la presente, onde certamente está, porém, somente em pensamento.
Ah, noites belas foram aquelas nas quais tive seu reflexo sob os fios do meu cabelo, sua imagem tão nítida transferida para minhas retinas. Minhas partículas de hemoglobina estão se quebrando no sistema retículo endotelial por excesso de bilirrubina, estou ficando amarela e apática na falta do branco que havia em meus olhos ... Talvez por excesso da companhia do sol esteja eu me tornando tão similar a ele, acabamos unidos em uma palidez sem nitidez.
A figura de toda a graça, sua falta é sinônimo da desgraça de mim em função do viver. O que faço se não tenho? O que querer se não posso? O que amar se não convém? A contradição me persegue, alheia a tudo o que é certo só não me ocorre sentir desdém.
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